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A dor de saber que sou um sussurro e que o mundo é silêncio.

confession post mortem

hoje eu morri 3 vezes
na esquina da avenida
no bar do seu joão
nos teus olhos de despedida

labsinthe:

Ajak Deng & Jeneil Williams photographed by Ezra Petronio

vvni:

Gregory Demchenko

outdoors cortam as estradas anunciando mercadorias

tremores anunciam movimento

o religioso, ao meio-dia, no centro da cidade, grita a volta de cristo.

alceu anuncia algo que virá num domingo de manhã

eu anuncio a loucura

minhas mãos e unhas ruídas entregam meu medo de ser alguém

as caspas

a insônia

olheiras.

tu vens logo? por que a vida está cada vez mais pesada e não sei se sou forte o suficiente para aguentar esse peso

quero descansar na tua imensidão de ser só e, ser contigo, um.

victor, anunciação

Não fui, na infância, como os outros

e nunca vi como outros viam.
Minhas paixões eu não podia
tirar de fonte igual à deles;
e era outra a origem da tristeza,
e era outro o canto, que acordava
o coração para a alegria.
Tudo o que amei, amei sozinho.

Edgar A. Poe

quântico. a física explica essa dor na alma? nem esse papo tântrico me salva desse desespero todo. a presidente vargas toda deve tá sabendo que eu tô encolhida essa semana. que me incomoda nas musculaturas da coxa todo esse nervosismo e eu não sei explicar não. eu não sei definir não. eu nem sei doer. entre as pulseiras os chocalhos e os baralhos das ciganas, algo no meu futuro não consegue ser lido ou escrito. elas alisam meus dedos procurando. dizem que terei um marido um carro e alguns filhos. tentam corromper meu egoísmo com seus olhares que mesclam acaso e cinismo. e eu tenho falhas sísmicas toda vez que me desvendam. se criam fendas cósmicas toda vez que me acertam então eu corro. sou capaz de morrer para não obedecer a um padrão. e não é por isso que as pessoas morrem? e não é por isso? desistir é estatística. a física não explica. freud não justifica. jung não subjetiva. quântico. lá se foi outro papo tântrico e nenhum orgasmo ficou.

yas 

simena:

Gustave MADELAIN

restodevida:

Edvard Munch - “From my rotting body, flowers shall grow and I am in them, and that is eternity.”

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